24/01/2008 13:57
Memórias de um cinema de relíquias.
Mês de férias, de entressafra de nossas ocupações temporais, é mês de dedicar-se a si mesmo. Entenda dedicar-se si mesmo como se dedicar ao que gostamos. Em meu particular caso, dediquei-me ao cinema.
Não por que entenda de cinema, mas por que gosto. Percebi que gostar de cinema e entender de cinema são coisas que nem sempre caminham juntas. Classificar um filme é diferente de julgar a destreza de alguém falando um outro idioma. Por exemplo, seria impossível dizer se uma pessoa fala bem o javanês, sendo que não conheço nada da língua. Mas é perfeitamente aceitável considerar um filme bom, mesmo sem dominar a arte, sem identificar a escola ou estilo, sem conhecer o autor em especial ou as habilidades do diretor. É claro que essa regra não vale para os aficionados do troféu careca.
Aqueles que entendem de cinema, geralmente possuem um ar erudito com estranhos óculos. Discutem enquadramento, fotografia, decupagem e sei lá mais o que.
Para mim, a graça esta no produto, e não em sua fabricação.
Quem não se lembra do E. T. telefone, minha casa, onde em 1982 aquele simpático bichinho estranho com o longo dedo torto virava febre nas escolas de todo o mundo. Ou ao se despedir, nunca disse Hasta la vista, Baby, onde essa ultima fala do Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro 2 configurava-se um fenômeno lingüístico global, pois se misturava o espanhol e o inglês, nos mais diferentes sotaques.
E por falar em Baby, foi do cinema que herdamos essa expressão. No Brasil, ao fim da década de 30, a expressão febre era alô, alô!. Essa interjeição ficou famosa e eternizada nos clássicos Alô, Alô, Brasil de 1935 e Alô, Alô, Carnaval de 1936, ambos protagonizados pela pequena notável, Carmem Miranda. E há quem não saiba ainda o que é que a baiana tem. E quem não lembra da canção de Noel Rosa de 1933, que dizia: ... o cinema falado é o grande culpado da transformação.
Agora você deve estar me questionando, sobre o por que de só citar filmes antigos. A resposta é simples, está na essência. Pense nas propagandas de TV, nos craques de futebol, nas obras de arte. Os exemplos possuem o limite tendendo ao infinito. Antes se tinha a idéia, e para mostrar, desenvolviamos as ferramentas. Hoje temos as ferramentas, mas quando esprememos todos esses trabalhos, tirando toda essa capa tecnológica, não encontramos nem resquícios de grandes idéias. Aprender a tocar um instrumento hoje, é ridiculamente mais fácil, desenhar no computador e imprimir com boa qualidade também. Criar efeitos especiais é mais questão de investimento do que de genialidade. Antes a idéia era protagonista do filme, hoje divide as cenas com tantos personagens que mais parece um figurante. Sorte isso ainda não ser a regra geral.
Do inesquecível Star Wars, de 1977, Que a força esteja com você! ficou a recomendação que venceu o prazo dos seis meses, que comumente possuem essas expressões e avançou alem da galáxia muito distante. Como I am your father (eu sou seu pai), de Darth Vader no Episodio V O Império Contra-Ataca.
Quem não lembra quando Rhett Buffer diz a Scarlett O´Hara: Frankly, my dear, I don´t give a damn. Dizem que essa frase não estava planejada, e nem deveria ter sido dita, pois o termo damn era considerado vulgar (praticamente pesado) demais para época, algo como em bom português: Francamente, querida, estou pouco me lixando. Lembre-se que estamos falando de 1939.
Quantas vezes você já usou a frase Eu vou fazer uma oferta que ele não poderá recusar, de O Poderoso Chefão? Ou ao estar perdido em uma viajem, não disse: Toto, eu tenho o pressentimento que não estamos mais no Kansas ( O Mágico de Oz).?
Você já definiu o amor com em Love Story (Amar é nunca ter que pedir perdão)? Ou disse que essa é a substancia de que são feitos os sonhos. (O Falcão Maltês). Ao encontrar um novo amigo, enfim Loius, eu acho que este é o começo de uma bela amizade. (Casablanca).
Também não é difícil encaixar a famosa frase de O Silencio dos Inocentes: um pesquisador de censo tentou uma vez me testar. Eu comi o fígado dele com feijão preto e um bom chianti, em um de nossos diálogos corriqueiros.
Ou, ao fim de uma exaustiva jornada de trabalho, sentar no sofá e dizer: não há lugar como a nossa casa (O Mágico de Oz). Ou ao cobrar a dívida de alguém, gritar como Tom Cruise em Jerry Maguire: Me mostre a grana!. E por falar em Tom Cruise, lembram do Você quer a verdade, você não agüentaria a verdade!, que o Jack Nicholson lhe disse em Questão de Honra?
Que tal frases que nos fazem pensar, como em Forest Gump: Mamãe sempre disse que a vida é como uma caixa de chocolates. Você nunca sabe o que vai pegar ou . O melhor amigo de um garoto é a sua mãe (Psicose). Carpe diem. Aproveitem o dia, meninos. Façam de suas vidas uma coisa extraordinária. (Sociedade dos Poetas Mortos).
E por falar em mortos, que tal Eu vejo gente morta de O Sexto Sentido. Para quem não viu o filme ainda, saibam: O Bruce Willis é que está morto.
Poderíamos ficar um bom tempo nisso, nosso acervo cinematográfico é gigantesco, e nem temos tanto tempo assim de cinema. Frases clássicas como: Houston, nós temos um problema., de Apolo 13, vão ficar para sempre na memória. E ainda temos: Tire suas patas fedidas de cima de mim, seu maldito macaco nojento! (Planeta dos Macacos). Yo, Adrian (Rock Um Lutador). Mantenha seus amigos por perto, mas seus inimigos mais perto ainda. (O Poderoso Chefão II). Eles estão aqui! (Poltergeist). . Deus é minha testemunha, jamais passarei fome novamente! (... E o Vento Levou). Elementar meu caro Watson (As aventuras de Sherlock Holmes).
O fato é que o cinema tem esse poder de nos transportar para a Matrix, de recriar a historia e o mundo, destruir tabus, mudar paradigmas e quem sabe, até o mundo. Foi John (O Beatle, não o apostolo) quem disse: Uma musica é só uma musica, mas se cantada muitas vezes e por muitas pessoas, tem o poder de mudar o mundo.
Que seu 2008 seja cheio de comedias românticas, suspense, ação, aventura e terror, afinal um pouquinho não faz mal a ninguém. PS.: Não podia acabar sem citar James bond.
Por Antunes Weide Vieira Machado
Colunista Brasil Escola
enviada por Jô Castor
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